- Moço, muito boa tarde.
(levanta o chapeu, o seu moço)
-Moço, por caso es o alfaiate masgico-descolador-feitor-solucionador de que ouvi falar? E que eu ando ha muito procurando alguem que soubesse fazer um serviço parecido com o seu, mas pensei que impossivel de achar fosse, dediquei um bocado de tempo a aprender a arte por mim mesma, eu por mim mesma, fazendo um monte de bocado de coisa errada mesmo, ate aprender como se faz... (ele interrompe):
- Sou eu sim.
- Quanto fica?
- O que quer exatamente? Tudo depende... se vai querer que eu so tire...
- Tudo. Tudo, moço. Tire por favor tudo.
- Voce quer ficar sem nada?
- Moço! Rasga tudo! Corta, descola, descola, descola essa nhaca de miiiim!
- E perigoso moça, ficar sem nada... querer amputar toda a roupa. As vezes vêm uns malucos com essa ideia, e o fazem, e as vezes se arrependem, outras vezes nao, mas bem raras vezes, pra ser moço sincero eu.
(uma duvida lhe surge...)
- AH, minha cabeça e tao pequena...nao sei como explicar o que imagino moço...
- Assim nao poderei ajudar...
- Moço! Olha pra mim! Eu to chorando! Eu to pedindo ajuda! Eu nao sei, eu nao sei! Por favor, nao me deixe so nisso...
- Moça... o que foi?
- Voce tem coração, então?
- Hm... talvez?
- Moço, qual a sua opinião? O que seria melhor?
- Olha, senhorita, vou lhe dizer uma coisa. Todo mundo na rua - olha pra rua..
(ela olha)
-Sim?
-Ta vendo? Todo mundo ta cheio de roupa amontoada, uns mais, uns menos, uns com muuuita roupa, tanto, mas tanto, ate as tampas, que nao conseguem nem mais enxergar a luza do sol. A roupagem tapou-lhe as visoes, empreteceu tudo, tudo. Mas eles se protegem. Assim sao mais fortes, entende? Nao e muito facil causa-lhes mal. Soque-os com todas as palavras que quiser, com todas as tentativas de abrir uma frestinha que seja para que possam ver... e nao vai adiantar. O ego ta forte, gordinho que so, varias e varias camadas...so podem (so podem!) ver a propria cabeça. Mais nada... e voce jamais conseguira rasgar, voce, a roupa deles, entende? So quando eles quiserem...por alguma mutação estranha da natureza que dai eu ja não conheço...
- Mas moço! Muita gente me chama de incompreensiva! Olha, eu to cega, pode ver! Eu grito a quatro cantos "sejam olhos-abertos" e eu mesma tampo os meus! Com a roupa suja feia negra fedorenta que gruda. Ai, e as vezes eu nao percebo! Mas agora, agora eu to chorando, porque a roupa ta pesando taaanto em mim, ta grudando, feito parasita! Mas e meu! Eu sou meu proprio parasita? Eu sou o proprio monstro?
- Moça...
- Moço! Por favor, eu to pedindo ajuda... Não ve? Estou bem aqui, dentro do meu proprio mar sem redias...e eu ja nao sei onde e norte e onde e sul. Me ajuda a achar ate que ponto eu preciso soltar o peso de mim, pra poder nadar mais livremente, mas sem soltar tudo, a ponto de sumir, e, entao, ja nao existir mais? Voce acha que pode me ajudar?
- EU ja sei.
- Ja?
- Vamos trabalhar juntos. Voce quer se tornar limpida...
segunda-feira, 22 de março de 2010
sábado, 20 de março de 2010
Oia, eu chego sobria pra agarrar teu erro
Lhe mostro um mundo tolo
mas inteiro
Tu, que jamais mereceste coisa alem de meio
Mas de repente penso uma coisa
Que culpa gigante tens
de fazer-me assim, tão cheia de receio!
Penso: eu sei voar pro abismo
Pense: sem nem mesmo asas ter
Que estranho mesmo isso
De ir longe sem se perder...
não? Não. Não eh coisa pouca ser formiga, andar no meio de elefantes, e ainda assim, sobreviver.
Lhe mostro um mundo tolo
mas inteiro
Tu, que jamais mereceste coisa alem de meio
Mas de repente penso uma coisa
Que culpa gigante tens
de fazer-me assim, tão cheia de receio!
Penso: eu sei voar pro abismo
Pense: sem nem mesmo asas ter
Que estranho mesmo isso
De ir longe sem se perder...
não? Não. Não eh coisa pouca ser formiga, andar no meio de elefantes, e ainda assim, sobreviver.
insatisfeito?
Ainda bebo na derradeira fonte
Caçando o limpo no ceu de sol tolerante
E chego devagar crendo estar so
e provavelmente estando
Então bebo rapido
engulo cada gota de amorzinho hidratante
Antes que tu chegue e roube minha agua
Batendo de frente
Esfregando o desprezo na fronte
Sugando qualquer coisa ainda em mim umida
Descortinando a barreira impenetrante
Então ja no chão, levanto e pergunto:
- Insatisfeito roubando apenas minha sede?
Caçando o limpo no ceu de sol tolerante
E chego devagar crendo estar so
e provavelmente estando
Então bebo rapido
engulo cada gota de amorzinho hidratante
Antes que tu chegue e roube minha agua
Batendo de frente
Esfregando o desprezo na fronte
Sugando qualquer coisa ainda em mim umida
Descortinando a barreira impenetrante
Então ja no chão, levanto e pergunto:
- Insatisfeito roubando apenas minha sede?
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Fiona Apple: No. I really don't think anything I do is a mistake. It could be if I didn't learn from it. But in the long run, no matter what I do for the rest of my life, I'll know I did something wonderful by saying what I felt. That's what I said up there: "Go with yourself." And that's what I did.
O que queria agora? Eu queria um chocolate quente, um café, uma palavra quente - tanto faz, eu acho. Acho que o importante mesmo era ser quente e estar vivo. Porque eu venho estando viva demais e querendo achar alguma coisa viva demais para se fazer coisas que se fazem quando criaturas estão vivas demais. Ou talvez já mortas? Como se essa coisa de orgulho não importasse mais, como se a espera já não fosse possível, já não mais. Eu digo, será que está disposto? Eu vi que não, sabe? Eu vi isso, eu vi tão bem visto que agora não conseguirá mais me convencer. Essas histórias de evolução, de inteligência, de revolta... tudo está resolvendo mostrar o verdadeiro significado e eu resolvi ver e acreditar e dizer "está certo". Entende? Então não tem muito como mentir, eu sinto muito. Muito. Sabe? Eu entendo também que, ás vezes, a mentira é boa; tão realmente boa que nos faz sentir felicidade...incrível, não? E ninguém entenderá, nada, nada do que estou a dizer. Mas, pra quem passou já um bom tempo assim, sendo nada mais do que "uma coisa á parte", não faz diferença. É, talvez não faça mesmo diferença... (talvez não faça mesmo sentido...)
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
-Por que uma formiga, duas, ou todas, que passam a existência inteira atrás de migalhas e coisas para acumular, sempre correndo, cansadas e em prol de alguma coisa a mais, não simplesmente param e esperem morrer? A nossa programação é essa, estranha, mas é. A gente é a nossa vontade. As coisas giram porque querem girar - ou deixam de girar porque não querem girar. Não há leis. Não há obrigação nenhuma. E além do mais a inteligência real é o bom senso e saber interpretar - e isso não é fácil de ser aprendido. O algo a mais é o que faz e sempre fez a diferença.
Merda. Não sei como explicar e nem ligar o que tô pensando... parece sem sentido.
(pensando ainda sobre)
O mundo se move em volta de desejos. Será que tudo é assim?
Merda. Não sei como explicar e nem ligar o que tô pensando... parece sem sentido.
(pensando ainda sobre)
O mundo se move em volta de desejos. Será que tudo é assim?
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